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domingo, 30 de setembro de 2012

Urutau (Ave Fantasma)

Conhecido também como Urutau (Nyctibius griseus), a ave fantasma "que não tem nada de fantasma" é um caprimulgiforme da família Nyctibiidea. Na amazônia existe uma crença de que as penas da mãe-da-lua protegeria a castidade .
Esta ave mede cerca de 37 centímetros de comprimento, 80 centímetros de envergadura e pesa entre 160 a 200 gramas. De cor cinza ou marrom, é mestre em se mimetizar aos troncos de árvores.
Seu hábito de alimentação é noturno, comendo grandes mariposas, cupins e besouros, os quais caçam em voo. Por isso vive em habitat de mata não fechada, pois necessita voar para se alimentar na maioria das vezes.

Infelizmente é uma ave ameaçada de extinção.

Assista os vídeos, nesse primeiro, é o cântico triste da ave que na verdade é um chamado para as fêmeas e até mesmo para marcar território.

Segundo vídeo, globo natureza.

Acerodon jubatus

O gigante dourado coroada ( Acerodon jubatus ), também conhecido como o morcego-dourado tampado,é uma espécie com risco de extinção devido a caça ilegal.

Acho que nós seres humanos deixamos de ser parte da seleção natural para nos tornarmos a própria seleção natural. Por que devemos matar tudo que é novo e diferente ?


Fonte: Cabuloso

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Doença Renal Misteriosa atinge 2 continentes.


Agricultor afetado por doença renal faz diálise em Visakhapatnam, na Índia
Foto: Anna Barry Jester/Center for Public Integrity/Divulgação

Uma doença renal misteriosa vem atacando milhares de pessoas em comunidades rurais do sudeste asiático e da América Central. O aparecimento da doença intriga os pesquisadores, que ainda não conseguiram identificar as causas exatas da enfermidade.
No vilarejo de Halmillawetiya, na Província Centro-Norte do Sri Lanka, o agricultor Sampath Kumarasinghe, de 21 anos, descansa em um banco de madeira em frente à casa que divide com a mãe, viúva. Apesar do calor, ele usa um gorro de lã e seus movimentos são bastante lentos para alguém de sua idade.
Como a maioria dos moradores do vilarejo, ele é um plantador de arroz, mas ultimamente ele não tem tido forças para trabalhar. Os rins de Kumarasinghe não funcionam direito. Eles não estão mais conseguindo filtrar seu sangue.
"Meu corpo está fraco", ele diz. O agricultor é mantido vivo pela diálise, que realiza duas vezes por semana em um hospital regional. Ele espera conseguir um transplante de rim. Kumarasinghe é uma das milhares de pessoas na Província Centro-Norte sofrendo de doença renal crônica.
Segundo o Ministério da Saúde do Sri Lanka, 15% da população local foi afetada. A maioria dessas pessoas são cultivadores de arroz. Ilha das Viúvas A milhares de quilômetros de distância, Maudiel Martínez abre a porta de sua casa simples na comunidade La Isla, no oeste da Nicarágua.
Um pano faz as vezes de porta e deixa ver o rosto pálido de Martínez, com ossos protuberantes. Ele anda como um idoso, apesar de ter apenas 19 anos. A epidemia misteriosa vem ganhando terreno na América Central e já é a segunda maior causa de mortes de homens em El Salvador. Na Nicarágua, a doença mata mais que o vírus HIV e a diabetes combinados.
"Essa doença é assim. Você me vê agora, mas em um mês eu posso não estar mais aqui. Ela pode me levar de repente", afirma Martínez. Ele sabe do que está falando. Seu pai e um avô morreram com a doença. Três de seus irmãos também têm o problema. Todos eles trabalhavam no cultivo da cana-de-açúcar.
A doença renal crônica já matou tantos homens na comunidade de La Isla que o local já é conhecido popularmente como "La Isla de las Viudas" (A ilha das viúvas, em português).
Epidemia
A epidemia já atinge seis países da América Central, em suas regiões ao longo da Costa do Pacífico. Também foi identificada na Índia e no Sri Lanka.
A causa ainda é desconhecida, mas os pesquisadores acreditam que as vítimas estejam sendo contaminadas como resultado de seu próprio trabalho. As epidemias nas três regiões têm vários pontos em comum. As vítimas são em sua grande maioria relativamente jovens agricultores. Muito poucos sofriam de diabetes e de pressão alta, os fatores de risco mais comuns para doença renal.
Todos sofrem com um problema conhecido como nefrite túbulo-intersticial, que provoca desidratação grave e envenenamento do sangue. O problema afeta áreas geográficas específicas que são bastante férteis e muito quentes. As vítimas em sua maioria fazem trabalhos manuais pesados, têm pouca educação formal e pouco acesso a cuidados médicos. Em todas as áreas, os primeiros casos apareceram nos anos 1990.
Os cientistas acreditam que o problema pode estar ligado a algum produto químico presente ou utilizado nas lavouras desses locais, mas as pesquisas até hoje não conseguiram identificar exatamente o causador da doença. Com isso, não há tratamento disponível para a doença, nem uma maneira conhecida de preveni-la.
"É importante que a doença renal crônica, que afeta milhares de trabalhadores rurais na América Central, seja reconhecida pelo que é - uma grande epidemia com um tremendo impacto na população", afirma Victor Penchaszadeh, epidemiologista da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, e consultor da Organização Pan-Americana de Saúde sobre doenças crônicas na América Latina.
Estudo
Apesar de o mistério ainda permanecer sobre as causas da doença, uma pesquisa iniciada há quatro anos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo governo do Sri Lanka começa a indicar possíveis caminhos. Os pesquisadores testaram a população e o ambiente, tomando amostras de sangue, urina e tecidos das pessoas e de alimentos, de água e do ar da região.
Os resultados, divulgados há poucas semanas, sugerem que os culpados podem ser dois metais tóxicos - cádmio e arsênico - que estariam contaminando os alimentos e o ar. Segundo o Ministério da Saúde do Sri Lanka, os exames indicaram níveis relativamente altos dos dois metais no sangue e na urina da população da Província Centro-Norte.
Apesar de os níveis estarem geralmente dentro do que é considerado seguro, a exposição contínua a esses elementos pode ser prejudicial. O novo estudo também indica que os metais poderiam estar vindo de fertilizantes e pesticidas, baratos e superutilizados na região.
Muitos médicos e cientistas familiarizados com o estudo concordam que mais pesquisas ainda são necessárias, mas acreditam que os químicos usados na agricultura são ao menos parcialmente responsáveis pelo problema.
Mas ainda há muitas questões sem resposta: os níveis de cádmio e arsênico encontrados nos corpos das pessoas são altos o suficiente para provocar danos? Qual metal provoca a doença, o cádmio ou o arsênico? Ou uma combinação dos dois?
Os metais vêm principalmente de pesticidas ou de fertilizantes? E se esses produtos são a causa da doença, por que os agricultores de outras partes do país, que também os usam, não estão sendo afetados? As perguntas ainda são muitas, mas os especialistas esperam estar um pouco mais próximos de conseguir finalmente resolver o problema.
The World é um coprodução de rádio do Serviço Mundial da BBC com a americana PRI e a emissora WGBH, de Boston. Esta reportagem foi produzida com a colaboração do International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ), um projeto do The Center for Public Integrity.



quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A SHELL parou com a exploração de petróleo no Ártico, até o final do ano.


   
 Vitória! Shell cancela os planos de perfuração de petróleo no Ártico esse ano!
Depois de investir 7 anos e quase US$5 bilhões para chegar lá, a Shell não tem nada para apresentar, exceto uma série de erros de segurança e uma reputação em frangalhos.
Isso tudo graças aos quase 2 milhões de pessoas que assinaram a petição para proteger o Ártico e milhares que fizeram ações em todo o mundo.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Transgênicos causam 3x mais câncer e mata mais cedo os ratos de cobaia.


Criigen/AFP

Os ratos alimentados com alimentos transgênicos morrem antes e sofrem de câncer com mais frequência que os demais, destaca um estudo publicado nesta quarta-feira (19) pela revistaFood and Chemical Toxicology, que considera os resultados "alarmantes".
"Os resultados são alarmantes. Observamos, por exemplo, uma mortalidade duas ou três vezes maior entre as fêmeas tratadas com organismos geneticamente modificados [OGM]. Há entre duas e três vezes mais tumores nos ratos tratados dos dois sexos", explicou Gilles-Eric Seralini, professor da Universidade de Caen, que coordenou o estudo.
Para fazer a pesquisa, 200 ratos foram alimentados durante um prazo máximo de dois anos de três maneiras distintas: apenas com milho OGM NK603, com milho OGM NK603 tratado com Roundup (o herbicida mais usado no mundo) e com milho não alterado geneticamente, mas tratado com Roundup - o milho transgênico (NK603) e o herbicida são produtos do grupo americano Monsanto.
Durante o estudo, o milho integrava uma dieta equilibrada, em proporções equivalentes ao regime alimentar nos Estados Unidos.
"Os resultados revelam uma mortalidade muito mais rápida e importante durante o consumo dos dois produtos", afirmou Seralini, cientista que integra ou integrou comissões oficiais sobre os alimentos transgênicos em 30 países. "O primeiro rato macho alimentado com OGM morreu um ano antes do rato indicador (que não se alimenta com OGM). A primeira fêmea oito meses antes. No 17º mês são observados cinco vezes mais machos mortos alimentados com 11% de milho (OGM)", explica o cientista.
Os tumores aparecem nos machos até 600 dias antes que nos ratos indicador (na pele e nos rins). No caso das fêmeas (tumores nas glândulas mamárias) aparecem uma média de 94 dias antes naquelas alimentadas com transgênicos.
"Pela primeira vez no mundo, um transgênico e um pesticida foram estudados por seu impacto na saúde a mais longo prazo do que haviam feito até agora as agências de saúde, os governos e as indústrias", disse o coordenador do estudo.


sábado, 15 de setembro de 2012

Filhote de Leão com Tigre, nasce em Zoológico na Sibéria

Veja o video
Fêmea chamada Kiara é filha de um pai leão e de uma mãe ligre - mistura de leão com tigre.

Fonte: TerraTV

Zoo em Madri apresenta os irmãos ariranhas Felipe e Madidi

Foto:EFE

   O Zoo Aquarium de Madri apresentou nesta sexta-feira duas ariranhas (Pteronura brasiliensis) recebidas do Zoológico de Dortmund. Segundo a instituição, são dois machos, irmãos, com cerca de 2 anos e chamados de Felipe e Madidi.
   Os animais chegaram a Madri no Domingo e estavam se adaptando à nova casa. O objetivo do zoo é reproduzir a espécie de mustelídeo. A instituição afirma que as instalações para as ariranhas são novas, contando com piscina, zona seca e de terra, ambientações importantes para esse parente das lontras.
   Segundo o zoo, as ararinhas são maiores que as lontras - podendo chegar a 1,8 m e 32 kg, vivem na América do Sul - inclusive no Brasil - e se alimentam de peixes. A espécie é considerada ameaçada de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).

Super lesma invade a Grã-Bretanha e ameaça espécies locais.


   Lesmas gigantes da Espanha estão "invadindo" a Grã-Bretanha e copulando com as nativas, criando uma espécie mutante de "superlesma" que pode levar as locais à extinção, reportou o jornal britânico Mirror neste sábado.
   Além de se reproduzir, as lesmas estão ameaçando espalhar novas doenças e parasitas às espécies locais - sem contar que podem também devorá-las. Podendo crescer até 15 centímetros, acredita-se que a lesma da Espanha chegou ao país em saladas durante o verão e já se espalhou até, pelo menos, o País de Gales.
   Especialista da Aberdeen University, Les Noble alertou que os animais produzem 100 vezes mais ovos do que a típica lesma britânica, causando sérios problemas. "As lesmas nativas não poderão manter o mesmo ritmo e podem se tornar extintas", afirmou. "Já percebemos que quando essas lesmas se movem para uma área, as nativas desaparecem quase imediatamente", disse.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Segundo estudos, "Casamento" enfraquece o sistema imunológico de mamíferos.

Infidelidade do rato-veadeiros formou um sistema imunológico mais robusto e eficiente.

A infidelidade tem seu lado bom e é uma aliada importante do sistema imunológico dos mamíferos. É o que concluiu uma pesquisa da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos.

Matthew MacManes, autor principal do estudo publicado na revista PLoS One, descobriu que roedores infiéis têm uma defesa mais eficiente contra doenças do que os monogâmicos. Para chegar a este resultado, ele e pesquisadores do Lacey Lab da universidade analisaram dados de DNA e amostras de duas espécies que vivem nas montanhas Santa Cruz, na Califórnia: o roedor da Califórnia, que é monogâmico, e o rato-veadeiro, bastante promíscuo.

O grupo comparou os resultados em um supercomputador e observou que o rato-veadeiro tem duas vezes mais colônias de bactérias, o que acaba influenciando na variedade maior de genes ligados ao sistema imunológico.

Os resultados, diz MacManes, podem ser relacionados aos hábitos de acasalamento de humanos e de outros mamíferos, além dos roedores testados. Eles mostram que as diferenças de comportamento social podem levar a mudanças evolutivas das espécies. "Os ratos promíscuos, por causa do seu comportamento sexual, são mais expostos a bactérias. Eles precisam de um sistema imunológico mais robusto para se defender de todas as doenças a que estão expostos."

Divulgação/Universidade do Texas em Austin




domingo, 2 de setembro de 2012

Flagrantes inéditos da ciência.


O fotógrafo Jason Edwards foi o vencedor da edição deste ano do Prêmio Eureca New Scientist para Fotos Científicas. Ele capturou, pela primeira vez, o acasalamento da baleia-jubarte
Foto: Jason Edwards/BBC Brasil

O Prêmio Eureca New Scientist para Fotos Científicas é apresentado anualmente pelo Museu Australiano. Além de premiar inovações nas áreas de pesquisa, ciência acadêmica e jornalismo científico, ele também conta com uma disputada categoria de fotos científicas.
As imagens deste ano reúnem diversos flagrantes da vida animal e vegetal nunca antes registrados por uma câmera fotográfica. A imagem que conquistou o primeiro lugar no prêmio deste ano foi a feita por Jason Edwards, que capturou, pela primeira vez, o acasalamento da baleia-jubarte, também conhecida como baleia-corcunda.


O camarão mantis (odontodactylus scyllarus), que pode ser encontrado na Grande Barreira de Corais da Austrália, possui o mais complexo sistema de visão do mundo marinho.

As lagartas cyana meyricki se cobrem com uma espécie de teia formada por pelos protetores. Quando está prestes a entrar em estado de pupa, formando um casulo, ela reúne esses pelos de seda para construir uma elaborada gaiola em torno de si mesma. Mas a crisálida dentro dessa gaiola não pertence à lagarta, mas sim a uma mosca que foi devorada pela lagarta e que agora está longe do alcance de potenciais predadores.

A imagem 'Mais Um Dia na Vida da Arbidopsis' mostra uma pequena muda de apenas seis dias de idade de  Arabidopsis thaliana vista por um microscópio eletrônico e captura a essência de germinação das sementes e o nascimento delicado de uma planta. A imagem foi artificialmente colorida com tons que reproduzem as cores naturais da muda de uma planta. A foto mostra a raiz brotando, folhas de sementes, bem como células estaminais embrionárias.

O inseto Dryococelus australis já foi descrito como o inseto mais raro do mundo. Esta imagem mostra o animal saindo de seu ovo, seis meses após a incubação. Este processo nunca antes havia sido fotografado. O autor da imagem, Rohan Cleave, esperou pacientemente por várias semanas para registrar a foto.

Esta mosca foi preservada em âmbar báltico, que tem cerca de 40 milhões de anos. Âmbar é a resina fossilizada de árvores capaz de preservar espécies por anos, quase como se tivessem sido capturadas há pouco tempo.

A docilidade desta imagem é bem condizente com a espécie retratada. Os delicados insetos crisopídeos medem de 6 a 65 milímetros. O autor da imagem usou um efeito de luzes para realçar a impressão de equilíbrio e simplicidade.

Este neurônio está sob o efeito da proteína beta-amilóide. A proteína gera uma placa, as chamadas placas de senilidade, que, acredita-se, seriam as principais causas da Doença de Alzheimer.

A imagem do Dr. Dave Abdo capta o lançamento de um peixe imperador-trompeta ao mar, pouco após ele ter sido submetido a uma cirurgia para implantar um rastreador sonoro. Ele foi solto na Ilha de Heron, na Austrália, na regão conhecida como Grande Barreira De Corais. A pesquisa visa conhecer os padrões de movimentação do peixe em relação às mudanças ambientais e em relação à eficácia das áreas de proteção marinha na região.

O nosso sol entra em um período de ativisa máxima a cada 11 anos, com sua cromosfera exibindo proeminências, manchas e chamas. A imagem de alta resolução foi registrada por Peter Ward e mostra detalhes a dinâmica da atmosfera solar.

BBC Brasil.com
Fonte: www.noticias.terra.com.br/ciencia


Fogo ou Gelo ?

"Alguns dizem que o mundo acabará em fogo, outros dizem em gelo." Essa linha mórbida pertence a um poeta americano com um sobrenome de acordo com a última categoria. E enquanto Robert Frost não estava pensando sobre a mudança climática quando escreveu essas palavras, as provas fornecidas por cientistas - para não mencionar os desastres cheios de transmissões noturnas, notícias das últimas semanas - sugere que poderia ter sido alguma coisa. Nós não vamos ficar à frente de nós mesmos com pensamentos do fim do mundo, mas como o planeta continua a aquecer, parece que a supremacia do fogo sobre o gelo está ganhando impulso. Foi neste contexto alarmante que uma da fotografia documental aberta em Pequim no ano passado, intitulado "CARVÃO + GELO" especulou. Organizado pelo Centro da Asia Society sobre relações EUA-China, a instalação foi dividida entre representações de mineração de carvão da China industrial e as geleiras derretendo no país Planalto Tibetano com a clara implicação de que os dois estão sujeitos a compartilhar uma linha crucial. Agora que uma versão condensada está sendo mostrada na Galeria Resnick em Aspen, CO até o final do mês, vale a pena dar uma olhada nesta coleção ambiciosa de obras e no cálculo em que o fogo de carvão mais gelo do Himalaia é igual algo que nenhum de nós quer ver.
Fonte: www.planet-meg.com

sábado, 1 de setembro de 2012

Qat


Aceita um qat?
Esquecido pelo mundo durante séculos e temido por turistas, o Iêmen começa a se abrir e a surpreender os raros visitantes. Não é a toda hora que se descobre um país intocado, em que a mitologia islâmica e a história se mesclam em cada olhar


Texto e fotos por Arthur Simões

Flagrante em transporte público em Sanaa, a capital do Iêmen.


Ruas labirínticas de 2.500 anos.
Apesar de pouco conhecido hoje, o Iêmen é tão antigo quanto a Bíblia. Sua história se entrelaça com os mitos dos filhos de Noé, com a epopeia mesopotâmica de Gilgamesh e com a famosa Rainha de Sabá, de árabes e cristãos. Seu território, localizado no canto sul da Península Arábica, entre Arábia Saudita, Omã e uma faixa de mar que o separa da África, é um dos berços da humanidade, mas foi esquecido pelo mundo durante séculos. Com o tempo, o Iêmen também se esqueceu do resto do mundo. O isolamento secular manteve viva a magia exótica do país até os dias atuais.
Não é de hoje que o Iêmen impressiona os visitantes. Ao pisar nos confins do Oriente Médio e se deparar com a calorosa hospitalidade dos seus habitantes, os romanos chamaram a região de "Arábia Feliz". O profeta Maomé, ao passar pelo território, registrou ter encontrado ali as pessoas mais gentis que conhecera. Ainda hoje os visitantes elegem o Iêmen como um de seus destinos favoritos, não só por sua singular beleza natural, mas, especialmente, pela hospitalidade e simpatia da população, que vive de forma simples e alegre apesar da pobreza - sempre com o costume de mascar, todo dia, após o almoço, a popular folha do estimulante qat.
Percorrer o país é refazer os passos do lendário explorador árabe Ibn Battuta (1304-1377), sabendo que pouco mudou desde o século 14 até hoje. O fato de a região ter sido habitada durante séculos por um povo nômade obrigado a contar com a hospitalidade dos outros para se manter em movimento pelo deserto, a influência dos preceitos do Corão (que recomendam tratar e receber bem os viajantes, como se fossem sábios) e o relativo desconhecimento da região pela indústria turística tornam o Iêmen o destino ideal para quem valoriza autenticidade, cultura e uma hospitalidade há tempos perdida na maioria dos países.

(clique na imagem pra ampliar)


Vestígios da guerra civil de 1980, na praia
Olíbano e mirra
Apesar de tão antigo quanto a história da humanidade, o país só entrou no mapa global no século 1 antes de Cristo, graças a sua produção de olíbano, uma resina vegetal também chamada de franquincenso - o incenso verdadeiro -, e da extração de mirra, outra resina usada em medicamentos e como incenso em tempos bíblicos. Na época, a doce fumaça de tais commodities valia ouro. De lá para cá, as aromáticas resinas perderam seu valor e o Iêmen empobreceu e passou a sofrer a influência de outras culturas. A lista dos que tentaram colonizar o país é grande e inclui egípcios ptolomaicos, abissínios, persas, portugueses, otomanos e ingleses. Nenhum teve muito sucesso, o que até hoje é motivo de orgulho para os iemenitas.
Durante séculos o território se manteve na mão de líderes tribais e religiosos. Apenas no século 20, a geografia do país começou a ser redesenhada graças à descoberta de petróleo, a principal receita da economia iemenita atual, que continua a ser a mais pobre do Oriente Médio. Depois da colonização otomana e britânica, o Iêmen foi dividido em dois, e durante décadas o Iêmen do Norte, capitalista, duelou contra o Iêmen do Sul, socialista. A parte sul, primeiro e único Estado marxista do mundo árabe, foi derrotada na década de 80 e, em 1990, o país foi unificado como República do Iêmen, sob a presidência de Ali Abdullah Saleh.
A ausência de um governo democrático induziu às revoltas recentes, sintonizadas com o movimento da Primavera Árabe, para tirar Saleh de seu mandato sem fim. Em fevereiro, o presidente aceitou deixar o cargo, assumido por seu vice, Abd Rabbuh Mansur Al-Hadi, depois de uma eleição. Tudo indica que, apesar da eventual violência terrorista, o país vive o início de uma nova fase política, na qual estará mais aberto para o cenário internacional. Mesmo com a revolução, é bem provável que o Iêmen continue sob grande influência tribal e religiosa, a qual tem mais poder na vida dos iemenitas do que o próprio governo.
1. Pescadores em Al-Mukalla
2. Jambia na cintura e saco de qat na mão
3. Sacos de olíbano, o incenso verdadeiro, no mercado






Burcas e jambias
Quem chega ao Iêmen tem a impressão de entrar em um universo paralelo. Os homens são maioria pelas ruas, quase todos usando turbantes, túnicas, bigodes, saiotes e paletós, sempre com um largo cinto que sustenta a tradicional jambia, uma espécie de adaga, símbolo do mundo árabe. A imagem impressiona, especialmente pela faca que sugere que estão prestes a duelar a qualquer momento.
Conforme se conhece a cultura, tudo muda. Simpáticos, os iemenitas logo se mostram abertos a conversar e desarmam qualquer receio. É fácil perceber que ali se está muito mais seguro do que em muitos lugares do mundo. A própria jambia nem corte tem, sendo tão letal quando um garfo ou uma colher. Na verdade, só é usada em danças tradicionais, em que homens bailam entre si batendo uma faca na outra.
No segundo momento, descobre-se a inocência e a simpatia do povo. Provavelmente por conta da sharia, o rígido código de conduta do islamismo, a criminalidade é próxima de zero, o que explica a serenidade e despreocupação de todos, os carros abertos na rua e os inúmeros convites para tomar um café, provar tâmaras frescas ou apenas falar sobre a vida.
Quem chega ao iêmen tem a impressão de entrar em um universo paralelo.
Mesmo na capital e maior cidade do país, Sanaa, a sensação é de tranquilidade. Isso também vale para as mulheres, submetidas às leis religiosas. Ao contrário de outros países islâmicos, o Iêmen costuma ser seguro inclusive para mulheres estrangeiras que viajam sozinhas. Apesar de normalmente usarem longas burcas de cores escuras, e de serem bastante reservadas, as iemenitas podem ser mais liberais do que parecem. Um sinal é a presença de inúmeras lojas de roupas íntimas, bastante ousadas e visíveis nas ruas de Sanaa. A primeira sensação é de que estão no lugar errado, mas logo se percebe que há mais coisas debaixo de uma burca do que os olhos podem ver.

2. Crianças em Taizz.
3. Estacionamento em Shibam

1. Mercado de tâmaras em Sanaa.


Manhattan do Deserto

Sanaa, a 2.300 metros de altitude e com 1,7 milhão de habitantes, é a mais antiga cidade do mundo continuamente habitada. A lenda diz que foi fundada por Sem, filho de Noé. A ciência comprova que é mesmo antiga, pois o centro fortificado existe desde o ano 500 a.C. Apesar do rápido crescimento dos últimos anos, a cidadela continua igual há séculos, com milhares de casas de cinco a seis andares, construídas com tijolos e barro, decoradas com linhas brancas. Mesmo as mesquitas e os minaretes não são diferentes e se misturam com os tons ocres da cidade, declarada patrimônio da humanidade pela Unesco em 1986.
A labiríntica Sanaa é uma atração à parte. É fácil se perder por suas ruas e vielas e descobrir traços de séculos de história islâmica. Grandes mercados de especiarias, tâmaras e incenso, restaurantes a céu aberto, mesquitas que entoam cânticos juntas, cinco vezes ao dia, como se participassem de uma sinfonia, pequenas portas que conduzem a universos particulares onde tudo parece ser diferente do que é visto pelas ruas, mulheres com burcas misteriosas, os sorrisos e a curiosidade mútua fazem de uma mera caminhada uma viagem por um cenário digno dos contos das Mil e Uma Noites.


Fonte: www.terra.com.br/revistaplaneta